sábado, 11 de setembro de 2010

Sereno Sonho

Divaguei, com pensamento flutuante, sobre aquela serenidade súbita que me acometia. Achei que o pensamento estivesse divergindo do foco em tela cheia por pura fuga de encarar aquelas novidades cintilantes e tudo que me faria lembrar, mas na verdade era pura forma de expressar profundidade sobre tudo aquilo que soava para mim. Da percepção à crença, do entendimento à esperança, da lembrança à felicidade de um reencontro seguro. E de várias frases que muito fizeram sentido, uma me fez vibrar com o calor do sentimento, e a certeza de que não foi um puro sonho, foi um cheio de amor abraço.
Abraços daqueles que dizem tanto apenas no conveniente silêncio da respiração, daqueles que me fizeram ter certeza da presença espiritual, da fortaleza da energia, da evolução da alma, e do acalento do terno abraço.
Meu benzinho, me espera que eu já chego aí. E te dou de volta aquele abraço que me faz forte, e te entrego todo amor e toda luz de bondade que nunca deixei de receber.
Você acalma as vibrações tortuosas da minha vida. Acalenta a minha alma.

sábado, 8 de maio de 2010

SemNome

Não costumo me fazer perguntas sobre os perpasses que dá a vida
E nem ao menos sobre cada resquício de vida que fica na minha
Mas assumo para mim mesma que me questiono sobre você
Sobre a forma que chegou, e mais ainda sobre a forma que ficou
Com a intensidade que o contexto nos permite
De cores e tons que nos tem sido mostradas
Da forma que pode ser, mesmo não sendo
E mesmo não podendo ser, é
Num relance de censura, a racionalidade já não faz parte
Já não cabe aqui
Pois não foi lembrada desde o início
E se não foi lembrada, não será agora trazida
Permitamo-nos, como temo-nos permitido
Como deveria eu ter permitido-me sempre
Ou não. De modo que a permissão chega quando deve de fato chegar
Permito-me, então.
E vou ao encontro de um desconhecido céu
Mas com um azul de tons em cintilante já quase tão conhecidos
Uma entrega tímida e um medo sorrateiro de uma ansiedade rouca
Um anjo galanteador, dono das cantadas baratas mais caras que já pude ouvir
Esperto, na sua observação inteligente
Possuidor de sábias palavras, coerentes em sua maioria
Calientes, fuertes, vivas palabras
Crazy like a hot dance on a rainy day
Meu coração desconfiado não quer mais dúvidas
Assim pois, não mais questiona
Venha, o que virá. Vi-ve-rei.
Anjo doce de cores quentes,
me envolve em seus lençóis de pura poesia fria
de doce poesia ardente de sentimentos remexidos sem explicação prévia
Vem, que indo eu já estou.

Peça sobrante

A verdade é que eu nunca fui parte disso aqui
Sempre fui a parte preta do quebra-cabeça branco
Sempre fui a ira da regras impostas
Primeiro, a reunião de toda educação e toda simpatia
em meio metro de gente
Depois, a rebeldia em sua miniatura
Eu sempre fui a borboleta vivendo no habitat das tartarugas
Lentas e acomodadas tartarugas
Querer mais do que eu podia ser
Pior, mais do que eu podia mostrar que era
Foi sempre uma prisão, porque eu tinha que me acostumar àquela inércia conjunta
Não adianta bradar, e se não adianta também falar, chorar é que eu não vou na frente dos meus repressores
Aí é que fortifica minha casca amarga que mostrar-lhes-ei
Se querem apenas conhecer a minha pequenez
Conhecerão então da minha ira
Da minha fúria profunda, do meu amargor
Enxerguem-me como lhes convir
Não me importa mais
E não me importará de verdade
Essa crueldade toda não é digna do meu choro
Esse mundo raso não me cabe
Não consigo me moldar, nem consigo tentá-lo sem me ferir
Entrego os pontos, e assumo a minha estranheza ímpar
Assumo a minha falta de encaixe, e a minha solidão eterna
A minha linda solidão, a minha sublime!
Su-bli-me so-li-dão!
Nada além desta consegue me enriquecer mais de mim
Não há mais nada que consiga me trazer mais pra perto de mim, do que a minha solidão.
Eu me tenho, tenho a mim, a mim tenho
Meu sempre elevado estado de cônscia nunca me permitiu pensar diferente
Meus maiores esforços não me elevam a ponto de enganar-me na condição de não-sozinhos
Pois somos todos sós, somos todos apenas nós
Meu ritmo incomum me faz ter apenas os meus passos
Assim, só tenho as minhas pernas para tropeçar, a culpa é somente minha
E se forem retilíneos e ininterruptos passos, mérito da minha leve solidão
Eu não vou me enganar, não vou ser negligente comigo
Não me embriagarei com verdades distorcidas de completude ilusória
O silêncio que me transcende é a minha completude real
Um silêncio que mais palpável é do que esses corpos vazios

Leveza triste

Tenho me sentido cada vez mais sozinha
Engraçado porque, ao mesmo tempo, me sinto leve de uma maneira que talvez nunca tenha me sentido antes
Ainda que não consiga sentir a firmeza dos laços como outrora
Sinto-os também leves e, talvez por isso, seguros
Amarrados na medida em que devem estar
Quase todos
Eu tenho sentido uma paz combinada com uma tristeza que eu não sei bem entender
E mesmo hoje, que acordei especialmente feliz, estou também triste

domingo, 28 de março de 2010

Eu cansei

Eu cansei.
Cansei dessa vida de cada um por si
Cansei de cada um ser pelo outro apenas quando convém.
Cansei de ser sempre mais sentimento que os outros, cansei de dar mais do que recebo, e cansei de me enganar fingindo sempre que não espero nada de ninguém.
Cansei de me fantasiar de racional e gélida, pra não deixar transparecer um coração frágil que não saber se deixar ser tocado.
Eu cansei de acreditar, cansei de quebrar a cara e cansei, sobretudo, de dar a cara a tapa mais vezes.
Eu cansei dessa miserabilidade, desse imadiatismo, dessa substituição.
Cansei de lidar com animais quando julgava estar lidando com pessoas.
Cansei de ver esses animais aniquilando os seus iguais.
Cansei de ter mil amigos quando eu bebo.
Porque cansei de não ter nenhum quando as lágrimas é que me bebem.
Cansei de ser orgulhosa pra me defender, de ser grossa pra me defender, de agir por conveniência pra me defender.
Eu cansei de me destruir pra preservar o que ainda resta de mim.
Cansei de ter tantos e só ter a mim. Cansei dessa sensibilidade tôla que se embebedesse de tristeza por tão pouco.
Eu cansei dessa tolice toda.
Cansei da luz do abajur acesa e de todas as portas entreabertas que a mim não dizem nada. Não se pré-anunciam, mas te seduzem por uma grandeza oculta que não existe.
Eu sempre fico muito bem sozinha. Mas estar bem não quer dizer estar feliz.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Se eu soubesse

Se eu soubesse, eu teria batido na minha porta ontem à noite
e teria dito tudo que planejei me dizer
Seu eu soubesse, eu teria pelo menos compartilhado do meu silêncio,
e teria feito silêncio junto
Se eu soubesse, depois de ver que vozes e silêncios não bastariam,
eu teria encostado a minha mão em mim
Só para eu sentir a minha presença
Só mesmo pra eu saber que eu estaria ali quando eu precisasse,
quando eu me quisesse
Se eu soubesse, eu teria me abraçado em comunhão comigo mesma
Teria enxugado minhas lágrimas com as minhas próprias mãos
E teria, depois, me carregado no colo
Se eu soubesse eu teria me procurado antes de me perder

Eu Nele

O que se pode dizer de si, quando vê-se, de repente, sua imagem interior refletida dentro de quem lhe tem acompanhado. Seria divertido, não fosse minimamente estranho, ver em outro como se comporta o seu próprio coração. E me veio, de repente, a angustia mais sublime, mais calma que eu já pude sentir, ao passo que temi, segura de mim e do outro, as surpresas daqueles sentimentos. Sendo eu tão inconstante, tão cautelosa nas seleções amorosas e pseudo-conjugais, tão entregue e tão desapegada, vi este misto naquele que mais parecia eu em versão masculina. Eu podia, no entanto, vê-me em desespero, numa angústia pobre, cercada de dúvidas sobre um futuro de sentimentos brilhantes, mas sabendo eu como sou, vi no outro a tranqüilidade do passo a frente, já que senti a entrega do passo presente. Precisa-se apenas de um coração aberto para se ter metade de um caminho bem andado. Imagina só quando se tem dois.