A verdade é que eu nunca fui parte disso aqui
Sempre fui a parte preta do quebra-cabeça branco
Sempre fui a ira da regras impostas
Primeiro, a reunião de toda educação e toda simpatia
em meio metro de gente
Depois, a rebeldia em sua miniatura
Eu sempre fui a borboleta vivendo no habitat das tartarugas
Lentas e acomodadas tartarugas
Querer mais do que eu podia ser
Pior, mais do que eu podia mostrar que era
Foi sempre uma prisão, porque eu tinha que me acostumar àquela inércia conjunta
Não adianta bradar, e se não adianta também falar, chorar é que eu não vou na frente dos meus repressores
Aí é que fortifica minha casca amarga que mostrar-lhes-ei
Se querem apenas conhecer a minha pequenez
Conhecerão então da minha ira
Da minha fúria profunda, do meu amargor
Enxerguem-me como lhes convir
Não me importa mais
E não me importará de verdade
Essa crueldade toda não é digna do meu choro
Esse mundo raso não me cabe
Não consigo me moldar, nem consigo tentá-lo sem me ferir
Entrego os pontos, e assumo a minha estranheza ímpar
Assumo a minha falta de encaixe, e a minha solidão eterna
A minha linda solidão, a minha sublime!
Su-bli-me so-li-dão!
Nada além desta consegue me enriquecer mais de mim
Não há mais nada que consiga me trazer mais pra perto de mim, do que a minha solidão.
Eu me tenho, tenho a mim, a mim tenho
Meu sempre elevado estado de cônscia nunca me permitiu pensar diferente
Meus maiores esforços não me elevam a ponto de enganar-me na condição de não-sozinhos
Pois somos todos sós, somos todos apenas nós
Meu ritmo incomum me faz ter apenas os meus passos
Assim, só tenho as minhas pernas para tropeçar, a culpa é somente minha
E se forem retilíneos e ininterruptos passos, mérito da minha leve solidão
Eu não vou me enganar, não vou ser negligente comigo
Não me embriagarei com verdades distorcidas de completude ilusória
O silêncio que me transcende é a minha completude real
Um silêncio que mais palpável é do que esses corpos vazios
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